Atualizado em 31/10/2019

O cuidado com o paciente é de extrema importância, afinal, são pessoas que merecem toda a atenção médica e familiar também. Não é segredo para ninguém que o atendimento humanizado, junto ao apoio dos amigos e familiares, é essencial para a recuperação do paciente, e isso inclui medidas de segurança em relação ao indivíduo enfermo.

Em abril, acontece a conscientização e a promoção de informação acerca da segurança do paciente, mês em que todos os estabelecimentos de saúde têm a oportunidade de rever seus manuais e condutas. Nesse post, você vai conhecer quais são as metas internacionais de segurança do paciente e algumas alternativas para implementá-las de acordo com a legislação brasileira. Boa leitura!

Metas Internacionais de Segurança do Paciente

Você já ouviu falar em metas internacionais de segurança do paciente? Trata-se de seis diretrizes estabelecidas em 2005 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que identificam as áreas mais problemáticas em estabelecimentos da área, com a finalidade de gerar melhorias em cada uma delas.

É importante que os gestores de clínica tenham conhecimento das metas internacionais e dos assuntos que as cercam. Além disso, as normas também devem ser repassadas a todos os colaboradores do estabelecimento, clínica ou consultório de modo que os pacientes sejam sempre bem atendidos por todos da equipe.

1. Identificar corretamente o paciente

A identificação correta dos pacientes é fundamental para que não ocorram erros médicos, garantindo, assim, o tratamento correto em todas as circunstâncias. Por esse motivo, convém que as clínicas tenham um bom sistema de gestão, que possibilite uma identificação rápida e fácil.

Como as informações do prontuário ficam disponíveis no sistema, é mais fácil localizar alergias e doenças crônicas que um paciente tem, por exemplo. Isso é muito importante para que o tratamento seja o mais correto possível.

Erros de identificação podem ser detectados de acordo com a taxa de eventos em que ocorrem confusões e troca de informações, como entrega de resultados aos indivíduos errados. Para evitá-los, sua clínica pode adotar um sistema de pulseiras ou etiquetas com os dados do paciente, sendo que eles devem sempre ser conferidos pelo próprio usuário e pela equipe no momento da identificação e antes de qualquer procedimento.

2. Melhorar a efetividade da comunicação

A comunicação entre funcionários de saúde também é um ponto relevante nas clínicas médicas, sendo um fator fundamental para que não ocorram falhas no tratamento.

Além disso, a comunicação também deve se desenvolver entre profissionais da saúde e pacientes, que precisam receber atenção e um atendimento mais humanizado no acolhimento. Isso é importante para que o tratamento seja mais eficiente, conforme relata a pesquisadora Maria Júlia Paes da Silva, em seu livro Comunicação Tem Remédio: a comunicação nas relações interpessoais em saúde.

As falhas de comunicação podem ser identificadas pela proporção de prescrições que são feitas verbalmente ou por telefone, por transferência de cuidado entre profissionais e pela taxa de resultados críticos de exames e diagnósticos. 

Envolver o paciente no cuidado e nos processos de decisão sobre sua condição e deixar tudo registrado no prontuário de forma clara reduz problemas relativos aos erros de comunicação.

3. Aumentar a segurança das medicações de alta vigilância

Práticas de segurança relativas às medicações envolvem a padronização dos procedimentos de armazenamento, movimentação e uso, sobretudo para medicações que têm grafia ou aparência física similar.

Os erros relativos a isso podem ser identificados pelo número de prescrições e administração equivocada, bem como pela taxa de eventos adversos. Para evitá-los, deve-se sempre chegar a identificação do paciente na prescrição e confirmá-la com os dados da pulseira, etiqueta e prontuário. Outras duas medidas simples são a grafia legível na prescrição e o envolvimento do paciente no seu processo de cuidado.

4. Garantir cirurgias seguras

Antigamente, era comum que muitas cirurgias fossem feitas sem os cuidados necessários para que o paciente não sofresse danos, como marcas de cicatrizes de tamanho muito grande, por exemplo.

Hoje em dia, devido ao avanço das tecnologias da medicina, é necessário ter cautela para que as cirurgias tenham um checklist e sejam feitas de maneira menos invasiva e com maior eficácia.

Cirurgias realizadas em locais errados, alta taxa de mortalidade e profilaxia com antibiótico em momento inadequado indicam que a segurança do paciente está ameaçada. Para contornar as adversidades, a marcação do corpo e a confirmação do procedimento com a identificação e prontuário são essenciais.

5. Reduzir o risco de infecções associadas ao cuidado em saúde

As infecções hospitalares são muito graves e podem causar problemas de saúde que até mesmo levam o paciente a óbito. Por isso, adotar boas práticas nesse sentido é muito importante.

Para reduzir esses riscos, devem ser adotadas campanhas para que a higienização seja feita de maneira correta nas clínicas e nos hospitais, orientando pacientes, familiares e profissionais do setor de limpeza do local. Sempre disponibilize preparação antisséptica em lugares estratégicos e treine incansavelmente toda equipe profissional.

6. Diminuir o risco de lesões decorrentes de quedas

É sempre importante fazer a avaliação do risco de queda no momento da admissão, e essa informação pode ser classificada em cores estampadas na pulseira ou etiqueta do paciente. O usuário deve ser orientado quanto ao risco e quais são as medidas de prevenção durante o tempo de permanência no serviço. 

A clínica deve, sempre que possível, oferecer estrutura física e mobiliário, incluindo salas e banheiros, que não aumentem o risco de queda. Evite o uso de tapetes e procure fazer uma sinalização visual para identificação de problemas.

A legislação brasileira

Mundialmente, a preocupação com a segurança do paciente ficou evidente quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou a World Alliance for Patient Safety (Aliança Mundial pela Segurança do Paciente). O objetivo era estabelecer e organizar conceitos referentes à segurança do paciente e propor medidas para redução de danos e eventos adversos que aumentam a mortalidade.

No Brasil, a Portaria GM/MS nº 529/2013 tornou parte da legislação brasileira o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Essa medida foi criada para qualificar o cuidado em saúde em todos os estabelecimentos brasileiros dessa área, já que a segurança do paciente tem adquirido grande importância, não só para os usuários, mas também para os profissionais e gestores.

Algumas das estratégias para sua implementação são:

  • a elaboração de protocolos, guias e manuais de segurança do paciente;

  • a qualificação de gestores, profissionais e equipes de saúde em segurança do paciente;

  • a implementação de campanhas de comunicação pública voltada para públicos diversos — profissionais, gestores e usuários de saúde;

  • o estabelecimento de uma vigilância rígida e do monitoramento de incidentes na assistência à saúde, com garantia de retorno às unidades notificantes.

A importância de atender às normas

Em 2015, estimava-se que um em cada dez pacientes internados em hospitais sofreriam um evento adverso. Estimava-se, também que 70% desses eventos, incluindo as mortes resultantes deles, seriam evitáveis. Grande parte da mortalidade e da morbidade por eventos adversos se deve às complicações cirúrgicas, infecções hospitalares e, sobretudo, aos erros referentes ao uso de medicamentos.

Hoje, entende-se que, embora as políticas públicas sejam essenciais na redução de fatores que ameaçam a segurança do paciente, os profissionais e equipes de saúde são protagonistas no processo de qualificação do cuidado. 

Por isso, comemora-se, no dia 1º de abril, o Dia Nacional da Segurança do Paciente. O objetivo é engajar profissionais e gestores a desenvolverem, cada um em seu local de trabalho, ações que reforcem a cultura da segurança.

Os pilares fundamentais dessa cultura, que você deve sempre enfatizar em sua clínica, são:

  • todos os colaboradores assumem responsabilidade pela sua própria segurança, pela segurança de seus colegas, pacientes e familiares;

  • a segurança é mais importante que as metas financeiras e operacionais;

  • há o encorajamento e a recompensa àqueles que identificam, notificam e resolvem problemas que ameaçam a segurança;

  • há a promoção do aprendizado e a qualificação organizacional;

  • são feitos investimentos, em recursos, estrutura e responsabilização, para que a segurança se mantenha.

É sempre importante lembrar que a segurança do paciente não deve ser atribuída a uma única pessoa, equipamento ou setor do serviço de saúde. A melhoria dos indicadores depende da capacidade da instituição de aprender com as adversidades, determinar novas estratégias e aplicá-las, contando com a interação de todos os seus colaboradores. 

Para mais informações e documentos oficiais na íntegra, informe-se no site da IBSP, o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente.

Agora que você já sabe tudo sobre as metas internacionais de segurança do paciente, que tal organizar uma campanha para divulgá-las entre todos os colaboradores da sua clínica? Como já mencionamos, é importante que todos estejam alinhados para garantir o sucesso da campanha.

Por isso, você que é administrador de uma clínica ou faz parte de uma, não deixe de treinar ou solicitar a orientação para toda sua equipe. Garantir a satisfação do paciente, além de deixá-lo mais confortável e confiante, também é essencial para que ele volte e indique o consultório para pessoas próximas, como familiares, amigos, colegas de trabalho e muito mais.

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